Psicologia
Realidade Subjetiva
e Relações Interpessoais
Quando oportuno, utilizo a tela de Clara Cavendish, para fazer um trabalho projetivo com meus pacientes.
Assim como acontece quando observamos qualquer coisa, ao olharmos para a tela de Cavendish, percebemos em parte a própria tela e em (outra) parte as ideias e significados a que ela nos remete. Assim, a tela como um todo (fundo) e cada um de seus detalhes (figura) são percebidos de modo particular por cada um de nós. Graças ao fenômeno da projeção, colocamos no objeto observado aquilo que é nosso, e assim lhe damos um sentido.
Convido você a olhar para esta tela com um pouco mais de atenção e atribuir um sentido à tela como um todo. Depois disso, selecione três partes – figuras ou imagens parciais que a compõem - e relacione o todo com às partes. Esse exercício nos ajuda a compreender como percebemos a realidade e como ela nos afeta.
Caso tenha a oportunidade de fazer este exercício com outra pessoa, compartilhe o que você percebeu. Compreenderá que ambos percebem a tela do seu próprio modo. Uma conversa interessante poderá surgir entre vocês.
Realidade Subjetiva
e Relações Interpessoais
A percepção que temos da realidade é um tema muito frequente nas nossas sessões de psicoterapia.
Não raro, as questões que nos trazem sofrimento, em especial nas relações interpessoais de todo tipo, estão associadas ao nosso “ponto de vista”, nossa percepção, que é baseada nos conceitos e significados que desenvolvemos no decorrer da nossa vida, nos valores morais que introjetamos e no nosso estado de humor.
Como psicoterapeuta corporal, costumo chamar a atenção dos meus pacientes para a maneira com que percebemos as coisas (os estímulos).
Neste contexto, considero a percepção um processo de três etapas, (1) captação do evento via nosso sistema sensorial, (2) processamento do que captamos (associação às ideias e memória que temos) e (3) atribuição do significado que este evento tem para nós. Desta percepção decorre a nossa reação ao evento.
Buscar “ver com os olhos do outro”, como me ensinou um dos mestres da minha graduação em Psicologia, é relevante para a qualidade das relações interpessoais que mantemos, porém, é inviável percebermos do mesmo modo do outro, trata-se apenas de um exercício de empatia. O propósito deste informe é convidar você a levar em conta que, quando comparadas as percepções, sempre haverá aspectos que podem tornar o evento distinto para as pessoas que o percebem.
Para finalizar a descrição do que consideramos percepção em nosso trabalho psicoterapêutico, acrescento que nosso “ponto de vista” depende do nosso sistema sensorial (corpo), dos conceitos já desenvolvidos (experiências), da memória e da nossa capacidade de processar tudo isso para chegar a um significado (funções mentais) e das sensações corporais resultantes (emoções). Assim, temos um modo corporal, mental, experiencial e emocional de perceber a realidade, o que justifica a ideia de que a Realidade é Subjetiva.
Já mencionei que aprendo muito com meus pacientes. Alguns compartilham comigo suas reflexões e as ideias que lhes chamam a atenção. Assim, a Adriana me presenteou com um vídeo de que gostei muito, tanto por seu conteúdo, quanto pela forma lúdica de apresentação. Neste vídeo, Rita von Hunty (personagem criada e interpretada pelo ator e professor, Guilherme Terreri) aborda outro aspecto da percepção, a intermediação pela linguagem: “se não existe a palavra, não existe a realidade”. Este vídeo traz provocações a todos nós, que vivemos no nosso mundo próprio e singular e, concomitantemente, compartilhado e plural.
Escolhi compartilhar o vídeo pela importância do tema abordado. Quem investir 12 minutos do seu tempo para vê-lo, perceberá que, depois de abordar o tema, Rita nos provoca com suas posições sobre momento político atual, mas este não é o motivo que me leva a sugerir que você o assista. Espero que, como Adriana e eu, você também o aprecie.
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