Setembro/2022
Ideias Inspiradoras
"Não te Rendas"
e o Sentido da Vida
Dar sentido a tudo que nos acontece é tarefa difícil.
Nas sessões de psicoterapia, é frequente falarmos do sentido das coisas: pessoas, encontros, eventos, fatos, circunstâncias, emoções, sentimentos, crises e por aí vai.
Como referência, consideramos que o sentido das coisas não estão nelas. Somos nós que atribuímos o sentido às coisas que experienciamos.
Setembro/22 nos trouxe reflexões importantes. Iniciei pela Campanha de Prevenção ao Suicídio, abordada no informe passado. Participei do III Congresso de Psicopatologia Fundamental, cujo tema foi "O sofrimento Psíquico em Tempos Sombrios" e também de uma Roda de Conversa sobre Clínica Corporal, Capacitismo e Diversidade Funcional. E Roger Federer se despediu das quadras: o maior tenista de todos os tempos para mim e para muitos amantes e praticantes do tênis. Num momento de comoção ímpar no mundo do tênis, Federer nos colocou diante da finitude das coisas. Refletir sobre estes temas gerais, nossos temas pessoais e ainda em tempo de campanha eleitoral, não é tarefa fácil.
Ajudou-me o poema de Mario Benedetti, indicado por uma colega. Resolvi incluí-lo na sessão Idéias Inspiradoras. Oxalá este poema também colabore com as reflexões de vocês ... “porque não estás só, por que eu te amo.”
“Não te rendas”
Não te rendas, ainda estás a tempo
de alcançar e começar de novo,
aceitar as tuas sombras
enterrar os teus medos,
largar o lastro,
retomar o voo.
Não te rendas que a vida é isso,
continuar a viagem,
perseguir os teus sonhos,
destravar os tempos,
arrumar os escombros,
e destapar o céu.
Não te rendas, por favor, não cedas,
ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se esconda,
e se cale o vento:
ainda há fogo na tua alma
ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua, e teu é também o desejo,
porque o quiseste e eu te amo,
porque existe o vinho e o amor,
porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
tirar os ferrolhos,
abandonar as muralhas que te protegeram,
viver a vida e aceitar o desafio,
recuperar o riso,
ensaiar um canto,
baixar a guarda e estender as mãos,
abrir as asas
e tentar de novo
celebrar a vida e relançar-se no infinito.
Não te rendas, por favor, não cedas:
mesmo que o frio queime,
mesmo que o medo morda,
mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
ainda há fogo na tua alma,
ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque cada dia é um novo início,
porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, porque eu te amo.
Referências bibliográficas:
Homens em tempos sombrios
Hannah Arendt, tradução Denise Bottmann ; posfácio Celso Lafer - São Paulo - Companhia das Letras, 2008
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