Junho/2023: Psicologia
Anorexia e Bulimia
Transtornos Alimentares
O Corpo Coisificado & Redes Sociais
Transtornos Alimentares são temas frequentes em nosso cotidiano. Mídia e Redes Sociais sugerem novas dietas com promessas de saúde ... saúde não ... de um corpo lindo e desejável. Há quem diga que um corpo saudável mostra um espírito exuberante.
Já citamos em outro informe que a saúde depende de dormir bem, respirar bem e comer bem. Um transtorno alimentar indica que a pessoa não está comendo bem. Comer bem é nutrir adequada e prazerosamente o corpo, de acordo com as atividades que ele executa.
Focamos em dois transtornos alimentares relevantes: a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa, compartilhando conceitos e dados importantes apresentados pelo Dr. Táki Athanássios Cordás, Coordenador do Programa de Transtornos Alimentares (AMBULIM) do IPQ-HCFMUSP, em sua palestra de 19/5/2023, promovida pelo IJUSP.
Anorexia e Bulimia visitam nossa clínica, trazidas por pais de adolescentes, principalmente das garotas.
Conhecer os sinais e sintomas associados é relevante para o cuidado suficientemente bom que dedicamos em especial aos adolescentes. A incidência destes transtornos é maior na adolescência.
O DSM-5, Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, descreve os Transtornos Alimentares. É a principal referência utilizada pelos profissionais da saúde no diagnóstico e tratamento.
"Os transtornos alimentares são caracterizados por uma perturbação persistente na alimentação ou no comportamento relacionado à alimentação, que resulta no consumo ou na absorção alterada de alimentos e que compromete significativamente a saúde física ou o funcionamento psicossocial.”
Anorexia Nervosa (F50.01)
Tipo Restritivo: Perda de peso conseguida essencialmente por meio de dieta, jejum e/ou exercício excessivo.
Principais Critérios Diagnósticos:
(1) Ingestão calórica abaixo da necessidade, levando a um peso corporal significativamente baixo no contexto de idade, gênero, trajetória do desenvolvimento e saúde física;
(2) medo intenso de ganhar peso e/ou de engordar e
(3) ausência persistente de reconhecimento da gravidade do baixo peso corporal atual.
Bulimia Nervosa (F50.02):
Tipo Compulsão Alimentar Purgativa: episódios recorrentes de compulsão alimentar purgativa (vômitos auto induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou medicamentos para evacuação ou retenção de fezes).
Principais Critérios Diagnósticos:
(1) Ingestão, em um período de tempo determinado, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos indivíduos consumiria;
(2) Não conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto se está ingerindo e
(3) Comportamentos compensatórios inapropriados para impedir o ganho de peso, como vômitos auto induzidos; uso indevido de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos; jejum; ou exercício em excesso.
Transtorno de Compulsão Alimentar (F50.8)
Principais Critérios Diagnósticos
(1) Ingestão, em um período de tempo determinado, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos indivíduos Consumiria;
(2) Não conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto se está ingerindo;
(3) Os episódios de compulsão alimentar estão associados a:
(3.1) Comer mais rapidamente do que o normal;
(3.2) Comer até se sentir desconfortavelmente cheio;
(3.3) Comer grandes quantidades de alimento sem estar com fome;
(3.4) Comer sozinho por vergonha de comer demais;
(3.5) Sentir-se desgostoso de si mesmo, deprimido ou muito culpado depois de comer em demasia;
(3.6) Sofrimento marcante devido à compulsão alimentar e
(3.7) Sem comportamento compensatório como ocorre na bulimia.
Pica (F98.3 em crianças e F50.8 em adultos)
Principais Critérios Diagnósticos
(1) Ingestão persistente de substâncias não nutritivas, não alimentares;
(2) Ingestão de substâncias não nutritivas, não alimentares, é inapropriada ao estágio de desenvolvimento do indivíduo e
(3) O comportamento alimentar não faz parte de uma prática culturalmente aceita.
Transtorno de Ruminação (F09.21)
Principais Critérios Diagnósticos
(1) Regurgitação repetida de alimento, que pode ser remastigado, novamente deglutido ou cuspido e
(2) A regurgitação repetida não é atribuível a uma condição gastrintestinal ou a outra condição médica.
Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo (F50.8
Principais Critérios Diagnósticos
(1) Falta aparente de interesse na alimentação ou em alimentos;
(2) Esquiva baseada nas características sensoriais do alimento;
(3) Perda de peso significativa;
(4) Deficiência nutricional significativa;
(5) Dependência de alimentação enteral ou suplementos nutricionais orais e
(6) Interferência marcante no funcionamento psicossocial.
Anorexia Nervosa X Bulimia Nervosa
Primeiros sinais de transtorno alimentar
(1) Fazer dieta é fator inespecífico;
(2) Repentinamente virar vegana ... corta coisas;
(3) Aumentar do número de horas fazendo atividades físicas;
(4) Contar calorias;
(5) Pedir comida feita em separado;
(6) Apresentar irritabilidade;
(7) Evitar eventos onde se come;
(8) Usar roupas cada vez mais largas;
(9) Evitar trocar de roupa na presença de outras pessoas;
(10) Falar muito em temas associadas a dietas e
(11) Distanciar-se, isolar-se.
Sobre a Prevalência
Em adolescentes e mulheres jovens
Cerca de 0,5% a 1% para anorexia nervosa e de 2,5% para bulimia nervosa;
95% são do sexo feminino e 5% do sexo masculino;
Os transtornos alimentares atingem todos as classes sociais, principalmente em regiões industrializadas e
20-30% de pacientes com internação involuntária.
Sobre a remissão
1/3 dos pacientes melhora;
1/3 melhora e piora;
1/3 não melhora e
20% morrem.
Redes Sociais e Sites
(dados de pesquisa)
Imagem Corporal - Mahon and Hevey (2021
Pesquisa com 103 adolescentes do sexo feminino de 12 a 18 anos:
A exposição elevada às aparências online foi significativamente correlacionada com a insatisfação da imagem corporal, com a necessidade de ser magra, com a internalização do ideal de magreza.
Selfies - McLean et al. (2015)
Pesquisa com meninas de idade média de 13 anos:
As meninas (idade média de 13 anos) que compartilhavam regularmente “selfies” nas redes sociais, em relação às que não compartilhavam, relataram uma maior supervalorização da forma e peso, insatisfação corporal, restrição alimentar e internalização do ideal de magreza.
:
Sites pró-ana (pro-anorexia)
e pró-mia (pró-bulemia)
Jett, LaPorte e Wanshisn (2010)
Destacaram a associação entre a exposição a sites pró-transtornos alimentares e o surgimento de transtornos na conduta alimentar em mulheres universitárias.
84% do grupo que foi exposto a esses sites reduziu a sua ingestão calórica de uma semana e quase metade do grupo (44%) afirmou que pretendia utilizar as informações e sugestões sobre como perder peso, se exercitar e esconder os comportamentos alimentares inadequados de outras pessoas.
A exposição de imagens de celebridades, modelos e pessoas comuns extremamente magras, mesmo que por pouco tempo, muda a autopercepção e o humor de meninas normais.
O que fazer com pessoas que resistem ao tratamento e/ou à internação?
Internação Compulsória: (para adultos) só com determinação judicial
Internação/Tratamento Involuntário: sob a responsabilidade da família quando menor de idade e com complicações importantes, conforme segue:
(1) Risco de suicídio;
(2) Risco de agressão ao outro;
(3) Falha de tratamento ambulatorial;
(4) Vômitos que não param e
(5) Auto-mutilação.
O Corpo Coisificado e a Autocoisificação
A noção de representação social afirma que não existe distância entre o universo interior e exterior, do indivíduo e de seu grupo.
Não existe uma realidade objetiva por si mesma, pois toda realidade é percebida pelo indivíduo a partir do sistema de valores do grupo e integrada ao seu próprio sistema de valores.
“O outro me olha e eu sou, não para mim, mas para o outro. O outro me despe de minha transcendência, me objetiva e eu me sinto coisificado.”
Consciência Corporal Objetificada (CSO) é a tendência de experimentar e considerar o próprio corpo como um objeto.
Três componentes principais da CSO:
(1) Vigilância Corporal: Pensamento persistente e automonitoramento constante, assumindo a perspectiva de um observador externo, para cumprir os padrões culturais do corpo e evitar julgamentos negativos);
(2) Vergonha Corporal: O sentimento devido ao fracasso percebido em atender aos padrões culturais de beleza e
(3) Crenças de controle da aparência: A crença de que, com esforço suficiente, a aparência corporal pode ser controlada.
" O nosso corpo é um templo guardião de memorias, heranças, pactos, legados, crenças, construção e desconstrução. Tudo fica registrado, inclusive memorias ancestrais.
É através do coração que esses registros circulam em nosso corpo.
Quando estamos alinhados e regulados com o grouding cardíaco a energia que circula é fluida e leve. Quando não estamos alinhados, a energia que circula é densa, ansiosa e com rupturas. "
Scheila Patrícia Gomes
Beleza é importante na nossa época?
(Observações da Clínica de Transtornos Alimentares)
Alunos de boa aparência recebem notas mais altas de seus professores do que os de aparência comum.
Julgamentos criminais simulados mostraram que os “réus” fisicamente atraentes têm menos probabilidade de serem condenados e, se condenados, receberem sentenças mais leves do que os menos atraentes.
Condições da pele têm um efeito profundo no comportamento social e nas oportunidades.
Referência bibliográfica:
DSM-5 Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais
American Psychiatric Association ; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento et al. ; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli et al. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2014.
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Jaimildo Vieira da Silva - CRP 6/89557
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