Janeiro/2021
Psicologia
Expressar é Preciso
Nossas emoções não devem ficar guardadas
CORAÇÃO NÃO É GAVETA!
O corpo fala!
(Ruth Borges - Revista Bula)
Engole o choro!
Engole sapo!
Cala a boca!
Cala o peito!
Mas o corpo fala, e como fala.
Fala a ponta dos dedos batendo na mesa.
Falam os pés inquietos na cama.
Fala a dor de cabeça.
Fala a gastrite, o refluxo, a ansiedade.
Fala o nó na garganta atravessado.
Fala a angústia, a ruga na testa.
Fala a insônia, o sono demasiado.
Você se cala, mas o falatório interno começa!
As pessoas adoecem porque cultivam e guardam as coisas não digeridas dentro de seus corações.
Expressar-se tranquiliza a dor.
Dor não é pra sentir pra sempre!
Dor é vírgula ... faça uma carta, um poema, um livro.
Cante uma música.
Pegue as sapatilhas, sapateie.
Faça piada, faça texto, faça quadro.
Faça encontro com amigos, nem que seja virtualmente.
Faça corrida no parque.
Fale com seu analista.
Fale com Deus.
Pinte-se de artista.
Converse consigo mesmo.
Papeie com seu cachorro.
Solte um grito pro céu
... mas não se cale, pois
se você engolir tudo que sente,
no final você se afoga!
Emoções
Expressar é saudável
Conter a expressão nos faz adoecer
A cultura nos faz conter a expressão de algumas emoções. Há um protocolo determinado pelas figuras de autoridade: "algumas emoções não devem ser expressas, em especial as emoções inadequadas, as que geram desconforto nas relações, como raiva, medo, nojo".
A expressão emocional acontece por meio do movimento impulsionado pela emoção, enquanto a contenção gera contração muscular. Regra geral: expressar é saudável e conter faz adoecer.
A contenção repetida da expressão emocional gera o que chamamos de couraças, termo que em Bioenergética está associado a tensões musculares crônicas. As couraças prejudicam os movimentos corporais, nos tornando “duros” e com pouca flexibilidade.
Na psicoterapia corporal, o processo de análise leva em conta as couraças, para compreender a personalidade e o estado de bem estar do paciente.
Orientar o paciente a expressar a emoção é muito frequente em nossas sessões de psicoterapia.
Toda expressão emocional deve levar em conta o bem estar do ambiente e da pessoa a quem a expressão se destina. Esta não é uma tarefa fácil. Depende da orientação e do tipo a relação que tivemos com nossos pais e seus sucessores (professores, chefes, líderes, amigos, namorados, maridos, filhos e outras pessoas). Depende enfim das pessoas de quem buscamos aprovação, amor e acolhimento.
Há várias maneiras de expressar as emoções. Um aspecto relevante é se as expressamos quando estamos sós ou quando acompanhados. Acompanhados, como parte de um grupo, a expressão leva em conta o que o grupo permite, pois é mais comum levarmos em conta desejo de aprovação e de permanência no grupo. Na solitude, a expressão é facilitada, o que explica nos recolhermos ao quarto, evitando as críticas dos que reprovariam nossa expressão emocional.
Expressar no grupo torna possível o acolhimento tão desejado. As pessoas que nos criticam podem também nos acolher.
Acolher quem necessita expressar o que sente é um gesto de amor, generosidade, solidariedade. O acolhimento adequado não julga, apenas se oferece para que o outro se sinta aceito e amado, mesmo que o acolhedor discorde da forma e conteúdo da expressão emocional.
O acolhimento – sem julgamento – deve ser oferecido pelo psicoterapeuta, que empresta seu ego para que o paciente expresse o que sente. Naturalmente, há um limite para a capacidade de acolhimento do psicoterapeuta, que deve estar atento a isto, cuidando-se – tal qual o paciente – em sua psicoterapia e supervisão.
"A alegria é o estado primordial da existência.
Partindo dessa premissa, Lowen propõe formas de resgatar essa condição.
A alegria significa abrir o coração para emoções dolorosas, permitindo que fluam e se expressem livremente.
Lowen orienta o leitor a ler e responder aos sinais do corpo e, através de exercícios de conscientização e revitalização, liberar a energia de sentimentos reprimidos.
Alegria emerge então como essência do nosso verdadiro ser, gerando um elevado grau de espiritualidade e capacidade de lidar com o cotidiano.
É a alegria como entrega ao corpo e à vida."
Referência Bibliográfica:
Alegria - A entrega ao corpo e à vida - Alexander Lowen - São Paulo - Sumus - 1997
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