Outubro/2024  Psicologia/Casa

 

Faz de tua casa uma festa  e

o curta-metragem Tsumiki no ie

 

Cada detalhe da casa, como um cheiro, um objeto, um olhar, um som, nos traz memórias que influenciam a maneira como (res)significamos toda e qualquer experiência da nossa vida.

 

Inpirado pelo poema de Cora Coralina     

 

Faz de tua casa uma festa.jpg

Recebi o texto que dá título a este informe de minha analista, Malu Marchi. Sensibilizado por Coralina, refleti sobre todas as casas em que vivi e, em especial, a minha casa atual. Compartilho aqui parte da minha reflexão.

 

Este informe traz também a indicação do filme "A casa em pequenos cubinhos" (tradução de Tsumiki no ie), sobre as memórias que as casas guardam. Associei os bloquinhos às fases da nossa vida. A água - o que a vida nos traz - vai inundando e nos leva a crescer, alcançar um nível mais alto.

 

Em psicanálise, a casa é associada ao nosso corpo: o sagrado templo que é moradia da nossa alma-psique.

 

 

Faz de tua casa uma festa

Cora Coralina 2.jpg

Faz de tua casa uma festa!

Ouve música, canta, dança ...

 

Faz de tua casa um templo!

Reza, ora, medita, pede, agradece ...

 

Faz de tua casa uma escola!

Lê, escreve, desenha, pinta, estuda, aprende, ensina ...

 

Faz de tua casa uma loja!

Limpa, arruma, organiza, decora, muda de lugar, separa para doar ...

 

Faz de tua casa um restaurante!

Cozinha, prova, cria, cultiva, planta ...

 

Enfim ...

 

Faz de tua casa um local criativo de amor.

 

 

A simbologia da casa

Casa pobre.png

A palavra “casa” está associada ao corpo e à psique (alma) humana.

 

O corpo que vemos é a parte externa da casa, seu aspecto físico, o que pode ser observado pelo olhar interessado. É também a primeira impressão, o primeiro afeto que causamos no outro. 

 

A parte interior da casa está associada à alma, nosso mundo interior. Está relacionada à nossa evolução pessoal e também ao feminino, no sentido do cuidado e acolhimento. Costumo utilizar a palavra “lar” para falar desta instância. 

 

Casa é abrigo. É morada das lembranças, dos sonhos, dos afetos mais importantes, das elaborações e do descanso reparador e revigorante. É o lugar da construção de relações mais profundas, da família.

 

Cada detalhe da casa, como um cheiro, um objeto, um olhar, um som, nos traz memórias que influenciam a maneira como (res)significamos toda e qualquer experiência da nossa vida

 

A casa é o ninho que acolhe, que nos protege. É o lugar onde as crianças crescem e se desenvolvem. É lugar de carinho, desenvolvimento intelectual, espiritual e moral.

 

A casa em pequenos cubinhos

 

Recortes, adições e edições do texto
O significado “afetivo” daquilo que chamamos “casa”:
Uma reflexão através do cinema


trabalho de Luciana Helena Mussi e Beltrina Côrte

 

A casa em pequenos cubinhos.jpg

A casa em pequenos cubinhos é o título do curta-metragem Tsumiki no ie, de 2008, dirigido por Kunio Kato.

 

O filme de Kato apareceu em minha pesquisa, quando li o trabalho de Luciana Helena Missu e Beltrina Côrte.

 

Neste trabalho, há uma reflexão sobre o significado da casa como base para a compreensão desta “construção tão especial, feita de tijolos, cal e memória, cujo produto final denomina-se “casa”.


As autoras consideraram que casa, no imaginário das pessoas, siginifica: edifício de formatos e tamanhos variados destinado à habitação; família, lar, conjunto de membros de uma família, conjunto dos bens de uma família ou dos negócios e assuntos domésticos, lugar destinado a encontros e reuniões, moradia de pessoas cujos interesses, origens e cultura por vezes representam ou expressam.


Citam Izquierdo: “mesmo que experiências ruins atropelem o curso dos eventos e possam influir nas ações futuras, não é possível apagar aquilo que somos”.

 

Citam também Brandão: “Recordar para o idoso não é doloroso e nem deve ser visto como uma fuga da realidade atual. Ao contrário,  rememorar possibilita a ressignificação, unindo passado, presente e futuro, que se harmonizam reforçando a sensação de pertinência a um grupo de origem e a um destino.” 

 

“A nossa memória é construída a partir das lembranças edificadas por vínculos afetivos, alegrias, desejos, apego, luto e tantos outros materiais do coração e da alma. A arte que se faz através do cinema, com uma linguagem construída por imagens, pode e muito contribuir na compreensão de um envelhecer cuja moradia significa muito mais que um local seguro para morar.”

 

 

E nas sessões de psicoterapia ...

 

Que casa analisamos? A casa idealizada – a da Família Doriana – ou a casa real, de  experiências e emoções diversas: de alegria, de medo, de tristeza, de raiva e de nojo?

Doriana x Real 3.jpg

Sim, tratamos da casa real.

 

É na casa real que aprendemos a lidar com tudo o que acontece em nossa vida. A família real prepara a criança e o adolescente para enfrentar a vida fora de casa. É com a personalidade desenvolvida na casa da infância e adolescência que damos conta do mundo externo que nos cerca.

 

Em nossas sessões as palavras família e casa se apresentam como sinônimos. É na casa onde está a família que idealizamos o nosso lar, como um lugar de escuta, acolhimento e segurança. 

 

Assim como na propaganda da margarina, fantasiamos que a alegria é a única emoção que reina em nossa casa. Porém as outras emoções também reinam no espaço familiar e precisamos aprender continuamente a expressar e lidar com todas as emoções e sentimentos que temos no nosso lar. 

 

Nas sessões de psicoterapia trabalhamos a conscientização da família e da casa real. A realidade que percebemos muitas vezes é bem diferente daquela de que nos falam.

 

Na tentativa de evitar o sofrimento, quando a família e a casa não são o que desejamos, criamos e acreditamos na fantasia de que a nossa família é também doriana. Esta crença pode gerar uma alívio temporário, mas não permanece por muito tempo.

 

A psicoterapia ajuda as pessoas a lidar com a família real. 

 

Em nossas sessões, estimulo o paciente a mudar sua crença. Ao invés da fantasia da família doriana, podemos acreditar que nossos pais nos amam da melhor maneira que podem. Cuidam, acolhem, protegem e proveem para que sejamos o melhor que podemos ser.

Casa - desenho infantil.jpg

 

Família Doriana

 

Quando criança idealizava minha futura família como aquelas apresentadas em comerciais de margarinas/manteigas.

 

Eu tinha a nítida certeza de que era possível ter uma família perfeita. Como me parecia fácil. Quão ingênua sonhadora eu era.

 

Os anos se passaram, muito vivi, muito acertei e muito errei, mas principalmente muito aprendi.

 

E aprendi que perfeito não passa de um conceito subjetivo e que quem, para ser feliz, procura perfeição em um relacionamento está fadado a passar a vida procurando.

 

Família doriana só existe nos comerciais.

 

recorte do texto de Tati Freitas

 

 

Referência bibliográfica:

 

A casa em pequenos cubinhos

Curta-metragem Tsumiki no ie, de 2008, dirigido por Kunio Kato
Clique e assista

 

O significado “afetivo” daquilo que chamamos “casa”

Uma reflexão através do cinema

Trabalho de Luciana Helena Mussi e Beltrina Côrte

 

Família Doriana

Artigo do site de Tati Freitas - A vida segundo a Tati

 

Informe Agosto/2020 
Emoções Básicas: Alegria, Raiva, Medo, Nojo e Tristeza