Julho/2023: Psicologia
Regulação Afetiva &
Neurofisiologia das Emoções
Os sentimentos conscientes, formados por emoções que penetram o funcionamento neocortical, compõem um número muito menor de emoções, quando comparado ao número de emoções expressas e percebidas pelas pessoas com quem nos relacionamos.
Nosso comportamento social é de base fisiológica. A neurofisiologia funciona de um modo quando estamos isolados e de outro modo quando estamos em grupo.
Expressar as emoções é fundamental. Ter boa qualidade de vida é ter desenvolvido uma Regulação Afetiva de boa qualidade. É Sentir, Tolerar, Aceitar, Compreender e Expressar as emoções de forma assertiva e eficaz.
Neste informe introduzimos alguns conceitos da Neurofisiologia das Emoções, assimilados no Workshop “Neurofisiologia das Emoções e Psicoterapia Corporal”, promovido pelo Instituto Essenza, em 8 de julho de 2023, e ministrado por Ana Patrícia Peixoto, Diretora/fundadora do IPS Instituto de Psicologia Somática. Agradeço a generosidade da Ana Patrícia, por autorizar o uso de parte do material por ela produzido.
Neurociência Afetiva e Neurofisiologia
As emoções são fenômenos fundamentalmente subcorticais e se estruturam em forma de sistema. Não têm um lugar no cérebro, mas são conexões de muitos pontos no cérebro. Influenciam a consciência, mas iniciam-se num nível abaixo dela.
Como fenômeno subcortical, a emoção não é parte do inconsciente postulado por Freud, pois não formou consciência para depois ser reprimida.
A Neurociência Afetiva é uma disciplina científica que estuda a base neural da emoção. Ela combina os princípios da neurociência com várias aplicações psicológicas, como o estudo da emoção, do humor e da personalidade. Se dedica ao estudo dos afetos e emoções, tanto do ponto de vista psicológico como neurológico. Ela busca uma origem ou pelo menos um elo com a química do cérebro e as reações bioquímicas do corpo humano.
O campo científico da Neurociência inclui a Neurofisiologia, que é um ramo da fisiologia que tem como objeto de estudo o funcionamento do sistema nervoso.
Modelo Sistêmico das Emoções
As emoções estão conectadas a três níveis:
Neocortex – Cérebro Racional
Relacionado ao autoconhecimento, à compreensão, à lógica mental e ao processo de dar significado às experiências. É o nível que faz associações, guarda marcas afetivas das experiências passadas e forma a consciência declarativa.
Sistema Límbico - Cérebro Emocional
Relacionado às sensações viscerais, como aproximar ou afastar, às experiências emocionais e relacionais. Compõe a memória do que é agradável e desagradável, formando a consciência afetiva.
Sistema de Sobrevivência – Cérebro Reptiliano
Relacionado ao esqueleto e aos músculos. Responde por movimento, percepção dos sentidos e sensações, comer, beber, copular, reações imediatas de sobrevivência. Ele forma a consciência comportamental inata.
Regulação Afetiva e
Modelo Sistêmico das Emoções
Uma pessoa saudável sente a emoção e faz a Regulação Afetiva, que é a execução assertiva e eficaz do ciclo completo das emoções: sente, tolera, aceita, compreende e expressa a emoção, preferencialmente no momento em que ela ocorre.
Quando a emoção fica presa num determinado estágio, o ciclo natural da emoção não é completado e o Sistema Nervoso fica desregulado. Em termos populares, a pessoa fica nervosa, agitada, mal-humorada, triste, desanimada e/ou desatenta.
Princípio de Reciprocidade do SNA
O Sistema Nervoso Autônomo (SNA) é um conjunto complexo de neurônios que controlam a homeostase interna sem intervenção consciente ou controle voluntário do sistema nervoso central.
O SNA é mais que Simpático (emoção ativa) e Parassimpático (emoção receptiva). É um sistema, que faz a regulação do nosso sistema nervoso.
A regulação ocorre o tempo todo. Basta uma notícia (estímulo) e a emoção muda. Um estímulo pode nos fazer sair da ternura para a ira ... basta saber que alguém riscou o nosso carro.
Temos uma Janela de Tolerância, uma Zona Ideal para a regulação afetiva. É na Janela de Tolerância que ocorre a Regulação Afetiva. Fora desta janela, ocorre a Desregulação Afetiva, produzindo uma reação emocional exagerada ou uma reação emocional abaixo do necessário. Estar fora da Janela de Tolerância estressa nosso corpo. Se for intenso, se ocorrer frequentemente ou se ocorrer por muito tempo, o estresse nos predispõe ao esgotamento físico e psicológico, e em casos extremos, ao Burnout.
Em termos da Neurofisiologia das Emoções, associamos os Transtornos Psicológicos à Regulação Afetiva de má qualidade.
Para o Sistema Nervoso,
o que vale é a experiência em si,
independentemente da sua intensidade.
A resposta do Sistema Nervoso é praticamente binária: sim-não, expressar-conter.
A intensidade da experiência não altera a resposta neurofisiológica, mas sim a subjetividade.
Trauma e Regulação Afetiva
Eventos traumáticos, tais como, ser assaltado, ser atropelado, ser abusado, sofrer bullying, sofrer assédio moral/sexual e outras situações aterrorizantes são associados à palavra Trauma. O Trauma é também o resultado de uma Regulação Afetiva de qualidade muito ruim.
Estar traumatizado não depende do evento traumático, mas sim da capacidade de lidar com o evento traumático, de uma Regulação Afetiva eficaz e da Janela de Tolerância.
Trauma é também uma memória não atualizada. A memória da experiência traumática está congelada. Quando um evento-gatilho ocorre, o traumatizado traz a memória congelada e junto com ela a sensação vivida no evento traumático. A pessoa não consegue focar no momento presente e re-experiencia o evento traumático.
Uma das saídas não saudáveis para lidar com a memória do trauma é a Dissociação. É como se a pessoa se desconectasse da situação presente, para não ter que lidar com o que está sentindo.
Há várias formas de dissociação, dentre elas, fugir para uma realidade alternativa/imaginada, negar os afetos, negar a própria personalidade e/ou usar álcool e outras drogas ilícitas. Comportamentos compulsivos também podem ser considerados dissociativos.
E nas nossas sessões de Psicoterapia ...
Para desenvolvermos uma Regulação Afetiva de boa qualidade, o lugar de fuga/dissociação precisa se transformar num lugar de cura.
Estimular memórias do passado é muito importante, pois ajuda a resgatar recursos que eram utilizados antes de desenvolvermos o transtorno a ser tratado. O processo psicoterapêutico visa trazer para o presente os recursos do passado e também ajuda a ressignificar o evento gerador do transtorno ou do trauma. Assim, capacitamos o paciente a enfrentar situações semelhantes.
Auto-conhecimento, compreender a história do nosso desenvolvimento e saber quais foram os eventos traumáticos é parte fundamental do processo psicoterpêutico, mas o conhecimento em si não basta.
Consciência é diferente de conhecimento. A consciência está ancorada no corpo, enquanto o conhecimento não tem corpo, é apenas mental. Para desenvolver a consciência, o conhecimento precisa ser incorporado (encarnado).
Referência bibliográfica:
Accessing the Healing Power of the Vagus Nerve: self-help exercises for anxiety, depression, trauma and autism
Rosemberg, Stanley; North Atlantic Books, Berkeley, California, 2017
Emoções Básicas: Alegria, Raiva, Medo, Nojo e Tristeza
TRE:exercícios para liberar tensões e traumas
O Caso Bá: Libertação do Trauma de Abusos Sexuais sofridos na Infância e Puberdade
Outros Informes: Psicologia Assessoria de Desempenho Consultoria Empresarial Idéias Inspiradoras
Jaimildo Vieira da Silva - CRP 6/89557
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